25 de julho de 2011

Cosmos

Um dia eu fui até a locadora escolher um filme, naquela época os filmes ainda eram em fitas de VHS, isso foi no ano de 1989, eu tinha apenas 12 anos de idade. Procurei por um bom tempo algum filme, mas nenhum havia me interessado, quase desistindo, avistei uma fita escondida nas prateleiras, tinha na capa, imagens do Universo e o título de “Cosmos”.  Ai pensei, vou levar essa fita mesmo.

Naquela fita, continha uma das séries científica apresentada por Carl Edward Sagan (09/11/1934 – 20/12/1996), astrônomo e divulgador da ciência.
Eu nem poderia imaginar que, ao dar play no velho vídeo K7, estaria assistindo um documentário que influenciaria toda minha vida.
Sagan falava das maravilhas do Universo e da nossa origem no Cosmos, com tão bela didática, que até eu com 12 anos era capaz de absorver aquelas informações científicas.
Que obra maravilhosa Carl Sagan nos deixou.

A série  “Cosmos” foi assistida por mais de 500 milhões de telespectadores em mais de 60 países.  Ela foi produzida e veiculada pela televisão pública norte-americana KCET/PBS em 1980, tendo sido a série de divulgação científica mais popular da história da televisão mundial, Seus 13 episódios trouxeram o mais avançado conhecimento científico da época ao alcance de todo e qualquer público.


Carl Sagan
Nascido em 1934 em Nova Iork, Carl Sagan se destacou como um dos pioneiros da nova disciplina da astro/exobiologia, tendo um papel significativo no programa espacial americano desde o seu início. Ele foi consultor e conselheiro da NASA desde 1950, trabalhou com os astronautas do Projeto Apollo, antes de suas idas à Lua. Chefiou os projetos da Mariner e Viking, pioneiras na exploração do sistema solar, que permitiram obter importantes informações sobre Venus e Marte (1976). Participou também das missões Voyager e da sonda Galileu. Foi decisivo na explicação do efeito estufa em Vênus e o descobrimento das altas temperaturas do planeta, na explicação das mudanças sazonais da atmosfera de Marte e na descoberta das moléculas orgânicas em Titã, Lua de Saturno.
Sagan foi autor de mais de 20 livros científicos, de popularização e de promoção do ceticismo crítico e do método cientifico, além de ter legado cerca de 600 artigos entre técnicos e de popularização. 



Alguns links da série no youtube:

Viagens no Espaço e no Tempo

Céu e Inferno

Uma Voz na Sinfonia Cósmica

O Limiar da Eternidade

Enciclopédia Galáctica

As Vidas das Estrelas

 Persistência da Memória

 

 

7 de julho de 2011

Um brasileiro que conviveu com Albert Einstein


Pouca gente sabe, mas um brasileiro chamado Huberto Rohden, teve a oportunidade de conviver com Albert Einstein na universidade de Princeton, New Jersey (Estados Unidos).
Huberto Rohden nasceu em Tubarão, Santa Catarina, fez estudos no Rio Grande do Sul e se formou em Ciências, Filosofia e Teologia em Universidades da Europa (Áustria, Holanda e Itália).
De volta ao Brasil, trabalhou como professor conferencista e escritor. Publicou mais de 60 obras sobre ciência, filosofia e religião.
Huberto Rohden
Huberto Rohden:
Os anos de 1945 a 1946 passei na Universidade de Pricenton, Estados Unidos, aceitando uma bolsa de estudos para “Pesquisas Científicas”, oferecida por essa Universidade.
Quase nada sabia eu, até essa data, do maior matemático do século – e talvez de todos os tempos – que lançou as bases para a Era Atômica. Nem mesmo sabia da sua presença em Princenton, pequena cidade derramada no meio de vasto descampado, a uma hora de trem de New York. Cerca de um mês após minha chegada a Princeton, passando um dia pela Mercer Street, meu companheiro mostrou-me um sobradinho modesto em pleno bosque e quase totalmente coberto de trepadeiras, dizendo que lá morava Albert Eisntein.
Mais tarde, em companhia de outro brasileiro, consegui uma rápida visita a esse homem solitário e taciturno. Cabeleira desregrada, barba por fazer, sapatos sem meias, todo envolto em um vasto manto cinzento, com olhar longícuo de esfinge em pleno deserto – lá estava esse homem cujo corpo ainda vivia na Terra, mas cuja mente habitava nas mais remotas plagas do cosmos, ou no centro invisível dos átomos.
Conversar com Einstein seria profanar a sua sagrada solidão.
Mais tatde descobri que ele costumava subir, cada manhã, o morro atrás da Universidade, em cujo topo verde se ergue o Institute for Advanced Studies(Instituto para Estudos Superiores), onde Einstein se encontrava com a equipe atômica – Oppenheimer, Fermi, Bohr, von Braun, Meitner, e outros corifeus.
Durante essa subida, através do bosque, era possível a gente se encontrar com Einstein sem ser importunado. Ele subia quase sempre sozinho, mais cosmo-pensado que ego-pensante. Às vezes, emparelhava eu com o silencioso peregrino sem que ele me visse – tão longe divagava sua mente pelo mundo dos átomos ou dos astros.
Esses encontros solitários eram a única oportunidade para expor as minhas idéias, então ainda embrionária, sobre a misteriosa afinidade entre Matemática, Metafísica e Mística, que mais tarde expus em aulas e livros, com grande estranheza dos de fora.
Já nesse tempo me convenci de que um homem pode atingir os pináculos da mais pura ética sem o recurso a nenhuma religião particular. Einstein era o exemplo vivo de um homem bom e feliz, ele que não professava nenhuma espécie de religião confessional. Era um homem profundamente religioso sem nenhuma. Na teologia era Einstein considerado como “ateu” – mas à luz da verdadeira filosofia era ele um grande “místico”.
Trecho retirado do livro - "Einstein - O Enigma do Universo"
A zero hora do dia 7 de outubro de 1981, após longa internação em uma clínica naturalista de São Paulo, aos 87 anos, o professor Huberto Hohden partiu deste mudo e do convívio de seu amigos e discípulos.

O Pálido Ponto Azul



Carl Sagan expõe seus pensamentos sobre essa foto histórica, numa conferência em 11 de Maio de 1996.
"Olhem de novo para esse ponto. Isso é a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um dos que escutamos falar, cada ser humano que existiu, viveu a sua vida aqui. O agregado da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões autênticas, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e colheitador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilização, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada mestre de ética, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, num grão de pó suspenso num raio de sol.
A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pensai nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, vieram eles ser amos momentâneos duma fração desse ponto. Pensai nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores dum canto deste pixel aos quase indistinguíveis moradores dalgum outro canto, quão frequentes as suas incompreensões, quão ávidos de se matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.
As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são reptadas por este pontinho de luz frouxa. O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de algures para nos salvar de nós próprios.
A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que alberga a vida. Não há mais algum, pelo menos no próximo futuro, onde a nossa espécie puder emigrar. Visitar, pôde. Assentar-se, ainda não. Gostarmos ou não, por enquanto, a Terra é onde temos de ficar.
Tem-se falado da astronomia como uma experiência criadora de firmeza e humildade. Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso miúdo mundo. Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portar mais amavelmente uns para com os outros, e para protegermos e acarinharmos o ponto azul pálido, o único lar que tenhamos conhecido."
"Carl Sagan"

2 de julho de 2011

Tycho Brahe

Tycho Brahe nasceu no dia 14 de dezembro de 1546 em Knudstrup, Dinamarca. Ele foi um astrônomo observacional da era que precedeu à da invenção do telescópio, e as suas observações da posição das estrelas e dos planetas alcançaram uma precisão sem paralelo para a época.
Tycho Brahe tinha 20 anos em 1566, quando se envolveu em uma disputa intelectual com um nobre dinamarquês chamado Manderup Parsberg, essa disputa acabou terminando em um duelo, do qual Tycho saiu sem um pedaço do nariz, que foi substituído por uma prótese de ouro, que escondia perfeitamente a parte mutilada.
Tycho Brahe sempre contou com a ajuda de parentes e governantes para seus estudos e excentricidades. O rei Frederico II da Dinamarca chegou a lhe dar uma ilha para fazer suas experiências, Tycho Brahe a transformou num pequeno reino cuja corte tinha até bobo, mas foi nessa ilha que ele construiu um observatório, Uraniborg, no qual fez uso de uma variedade de instrumentos (quadrantes, rodas, sextantes e esferas amilares rotativas), para perscrutar o céu. Construiu adicionalmente uma instalação subterrânea, para guardar os instrumentos, além de biblioteca, gráfica, laboratório de alquimia, fornalha e prisão para servos relapsos.
Uraniborg cresceu a ponto de tornar-se uma cidade, enquanto ele elevava a astronomia observacional a um estágio sem precedente, advindo-lhe em consequência enorme reputação internacional.

Em 1588, com a morte do Rei Frederico II, Tycho Brahe acaba não só perdendo quem lhe financiava, mas também perdendo sua ilha e a posição que ocupava na Dinamarca, pois ele não se dava muito bem com o novo rei Christian IV, e com os nobres da corte.
Em 1597, Tycho pegou a maioria de seus equipamentos, reuniu sua família e funcionários, e começou a se mover por toda a Europa, em busca de um local adequado para a criação de um novo observatório. Ao longo dos próximos dois anos, ele ficou em várias cidades alemãs, em seguida, em 1599, Tycho foi convocado para a corte de Rodolfo II, rei da Boêmia, o rei Rodolfo II tinha transformado Praga no centro cultural da Europa, e também resolveu financiar Tycho, lhe nomeando como Mathematicus imperial, com um salário de 3.000 florins por ano, e deu-lhe o castelo de sua escolha.
Foi em Praga que Tycho contratou como assistente o astrônomo alemão Johannes Kepler, a quem, antes de morrer, confiou todos os seus dados sobre as estrelas e um cuidadoso trabalho sobre o planeta Marte.
Tycho Brahe morreu em 24 de outubro de 1601, onze dias depois de ficar muito doente durante um banquete. Por centenas de anos, a crença geral foi que ele teria morrido de um problema na bexiga. Foi dito que ele teria evitado de sair do banquete antes do fim, por boas maneiras, e que isso teria causado o rompimento de sua bexiga, desenvolvendo uma infecção, que o matou. Essa teoria foi apoiada pelo relato de Kepler.
Após a sua morte, os seus registros dos movimentos de Marte permitiram a Johannes Kepler descobrir as leis dos movimentos dos planetas, que deram suporte à teoria heliocêntrica de Copérnico. Tycho não defendia o sistema de Copérnico, mas propôs um sistema em que os planetas giram à volta do Sol e o Sol orbitava em torno da Terra. Era uma maneira de propor um meio termo entre a igreja e ciência.
Consta que antes de morrer, Tycho Brahe teria dito a Kepler: "Ne frustra vixisse videar!", "Não me deixe parecer ter vivido em vão"
O sepulcro de Tycho Brahe foi aberto no dia 15 de Novembro de 2010, na Igreja Týnský em Praga por uma equipe internacional de arqueólogos dinamarqueses e tchecos, doutores, químicos e antropólogos. Os investigadores esperam usar testes de DNA e outras modernas ferramentas diagnósticas para aprender o mais possível acerca da história médica e da vida de Tycho Brahe.
Arqueólogos levantam o pequeno caixão com os restos mortais do astrônomo Tycho Brahe.
Crédito: AFP

Estrelas de nêutron e Joy Division

Em 1979 a banda inglesa de pós-punk, Joy Division, lança seu álbum de estreia, o Unknown Pleasures. O álbum foi gravado em abril de 1...